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Varginha, domingo, 05/02/2012
 
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PATRIMÔNIO HISTÓRICO
    THEATRO MUNICIPAL CAPITÓLIO

Theatro Municipal Capitólio
HISTÓRICO

O Theatro Capitólio foi idealizado pelo Industrial José Navarra.

De estilo Ecletico foi construído pelos irmãos Antônio e Celestino Pires, cuja planta levantada pelo engenheiro Frisoti Agostini, foi modificada à pedido da Empresa. A decoração da fachada e do interior é atribuida ao italiano Alexandre Valatti.

A expectativa em torno da inauguração era intensa e o jornal “O Capitólio” em sua edição de 14/02/1927 já anunciava: “correspondendo à expectativa, logo que a empresa Navarra fez ciente aos interessados de que já se achavam abertas as assinaturas para as frisas e camarotes do novo teatro, de sua propriedade, logo apareceram inúmeros pretendentes que ansiosos disputavam lugares permanentes”.

Findando o Cine Iris que o antecedera, o footing, de pessoas da sociedade, que se dava na Praça D. Pedro II; saltou para a Rua Pres. Antônio Carlos. Aqui, graças à influência do Theatro Capitólio, surgiu o centro nevrálgico da sociedade varginhense. Entre a Travessa Capitólio e a Rua Deputado Ribeiro de Resende, se situaram com o correr dos tempos, o Clube de Varginha, a Sociedade Italiana, os bares Recreio, O Ponto Chic e Capitólio e a primeira sorveteria de Varginha, a Doces Gelados Polar de Quinca Paiva defronte ao cinema.

A inauguração do Theatro Capitólio, no dia 12 de outubro de 1927, surpreendeu a muitos que não acreditavam na possibilidade de Varginha conquistar uma casa cultural de tão elevado nível artístico. Aplaudido pela população, com o maior entusiasmo, o Theatro Capitólio deu inicío a um novo tipo de vida e entreterimento à nossa cidade.

O Hino Nacional, tocado pela orquestra do teatro, sob a direção do Maestro Riccioti Volpe, era ouvido de pé, pelos presentes, que se comprimiam, ansiosos e emocionados, do interior do prédio até a rua. Grande era o número de pessoas que se dirigiam ao local. O primeiro espetáculo do Capitólio iniciou às 19 horas e constou duas partes: a primeira cinematográfica, com extensa e bem confeccionada fita “Cabaret” da Paramount Pictures, a segunda com variedades do trio “Esperança Diez”, muito em evidência nos teatros do Rio de Janeiro, com os cenários luxuosos e uma representação cômico-dramática, empolgando o público presente, que lotavam o teatro”.

Os filmes mudos exibidos no Theatro Capitólio eram sonorizados pela família do farmacêutico Pedro de Alcântara da Rocha Braga e suas filhas Carmem e Carmelita que simulavam ruídos de passos, chuvas e beijos. No dia 12 de outubro de 1930, o cinema falado foi inaugurado no Theatro Capitólio, com a instalação de um aparelho sonoro R.C.A. Photophone - sincronização do som com a imagem projetada na tela, um dos primeiros de Minas Gerais. Aqui foram exibidos sucessos dos primeiros tempos, como o Anjo Azul com Marlene Dietrich, Ben Hur com Ramon Navarro, Um Sonho que Viveu com Janet Gaynor e Charles Farreal, filme de inauguração do sistema sonoro do Theatro Capitólio em 12 de outubro de 1930, trazendo à sociedade varginhense, cultura e arte.

Na década de 70, o Theatro Capitólio funcionou apenas como cinema, sendo exibidos filmes sem nenhum valor artístico como lutas marciais e eróticos, chegando a sua decadência total. Em 1982, o Cine-Theatro Capitólio fechou suas portas. O mau estado de conservação do prédio leva à interrupção dessas atividades. Logo, a classe artísitica e intelectual se mobilizava para que ele fosse comprado da Empresa Prince de Souza pela Prefeitura Municipal. A prefeitura preparou-se para a tarefa de total recomposição do teatro. Não foram medidos gastos para se obter o objetivo da reforma do prédio, fazendo-o retornar à sua beleza inicial, cuidando-se dos mínimos detalhes.

Após passar por uma longa reforma, de 1983 à 1985, a cargo do engenheiro civil Mário Cincoetti, da arquiteta Tereza Guida Massa e do engenheiro eletricista Walace Etrusco, foram construídos: quatro camarins e dois banheiros no sub-solo do palco, pintura das cadeiras, raspagem e polimento nos azulejos e pisos, remontagem do lustre com pedras de cristal, substituição dos lustres comuns, pinturas e conservação do prédio, novas cortinas de veludo vermelho, troca da rede elétrica, substituições e reparos na cobertura e nas esquadrias de madeiras, construção de suas salas (divisórias de madeira) na galeria para funcionamento do escritório e administração, retirada da escada externa e banheiro, sendo construída uma entrada lateral coberta.
O Theatro Capitólio foi construído na época do auge da cafeicultura no Brasil, no ínicio do século XX


Atualmente administrado pela Fundação Cultural de Varginha, o Theatro Capitólio é mantido por uma dotação orçamentária da Prefeitura aprovada anualmente pela Câmara Municipal de Vereadores e passa por manutenção anual, podendo assim, continuar recebendo artistas e companhias internacionais como as do Ballet Folclórico da Rússia e da China em 1993 e as do Ballet Folclórico da Eslováquia, da Ucrânia e Ballet da Biello Rússia em 1998.

DESCRIÇÃO

O Theatro Capitólio foi construído na época do auge da cafeicultura no Brasil, no ínicio do século XX. A construção, em grande parte representa em sua arquitetura uma edificação destinada a grandes espetáculos.

Com mais de 76 anos de existência marca o apogeu dos barões do café, ostentando suas riquezas através da arquitetura sólida e indestrutível. A cultura era imprescindível para as famílias que moravam no interior de Minas, longe dos fascinantes grandes centros, onde esta era difundida através da arte.

O Theatro foi construido pelos mestres Antônio e seu irmão Celestino Peres, tendo como engenheiro, responsável pela parte estrutural da obra, Frisoti Agostini. A decoração interna e a fachada ficaram a cargo de Alexandre Valiatti que também era italiano.

Da Itália trouxeram a industrialização e o emprego do ferro forjado, aplicado largamente no edifício. A década da construção marca muito o início da industrialização no Brasil, aliando a industrialização a construção civil.

A Indústria Navarra, de imigrantes italianos, fabricaram as ferragens empregadas na construção.

De estilo eclético, o Theatro representa a técnica industrializada da construção aliada a uma arquitetura de fachada onde encontramos características de vários estilos como é no neo- clássico (colunas, cimalha, platibanda, embasamento, molduras) e art-nouveau (grades, portão, para peito, guarda corpos, janelas, todos em ferro forjado).

A composição, sua volumetria foi definida para que através da fachada se demonstrasse o poder unindo a riqueza e a punjança dos burgueses, num estilo pouco definido, mas estruturalmente equilibrado.

O projeto do Theatro definido em planta de forma retangular, mostra uma arquitetura tendendo ao modernismo cuja racionalização dos espaços é ditada.

A arte ao modo de ver desses barões do café não se podia racionalizar em uma planta retangular, mas sim em um conjunto clássico, definido pelos arabescos, arcos, cimalha, platibanda, ornamentos, detalhes, molduras, colunas e ferragens que se compunham e se misturavam formando um conjunto eclético, tendo como pano de fundo o neo-clássico.

A estrutura usava os materiais da época, mas a fachada é clássica conjugando diferentes volumes e formas indo do reto ao curvo numa harmonia silenciosa.

O Theatro Capitólio em sua fachada principal impõe uma arquitetura de poder onde a função é demonstrada ao primeiro olhar. O edifício, nada lembra outra função, senão aquela de abrigar a cultura através da arte trazida dos grandes centros.

A arte sublimada através da arquitetura do Theatro, representa o espírito mais elevado do ser humano, cujo refúgio repousa nos braços dos deuses com sua música, sua harmonia e seus movimentos dados pela representação dasimagens dos atores filtradas através do palco, numa experiência estética da realidade.

A construção de três pavimentos, térreo (platéia e frisa), camarote e galeria deram ao edifício um gabarito superior elevando o Theatro ao mais alto edifício de seu entorno.

A platibanda esconde o telhado, coroando a parte externa do prédio com ornamentos em massa. O embasamento destaca-se como primeiro elemento da fachada e piso e emprestando um caráter de solidez e sobriedade ao edifício.

A cornija clássica na arquitetura é caracterizada por diferentes ornatos, molduras curvas e retas, arrematando o edifício no alto da fachada, servindo para desviar as águas pluviais.

Internamente a preocupação com a funcionabilidade onde os espaços são racionalmente distribuidos, apoiado em uma estrutura física com materiais da época que utiliza a criação de vários pisos como é o camarote e a galeria. O hall de entrada com suas duas escadas laterais de forma elíptica coroam o acesso a sala principal. As escadas possuem balaustres em massa industrializados.

O foyer em uma lateral do edifício tem acesso ao hall de entrada, e tendo piso em ladrilho hidráulico, tendo um pé direito duplo.

O piso na parte térrea (sala principal) é de ladrilhos hidráulicos com desenhos geométricos.

Acima do foyer onde são localizados os banheiros, o piso também é de ladrilhos hidráulicos. No camarote, frisa e galeria os pisos são de tábua corrida de 10cm ou de tacos.

Os guardas corpos, grades e outros adornos são de ferro forjado e lembram art nouveau menos trabalhada. O Theatro está implantado junto ao alinhamento da calçada, tendo como divisas os lotes vizinhos. O Theatro Capitólio é um edifício de muita representatividade, tanto na arquitetura da época - advindo do início da industrialização - como também da memória de um povo.

USO ATUAL

Atualmente o Theatro Capitólio é uma sala de espetáculo que traz através da música e artes cênicas as atualidades vindas de grandes centros, sem nunca esquecer de envolver os novos talentos da terra e da região.

O foyer é aberto todos os dias e nele foi criado um espaço para exposição de arte e artesanato local e regional.

ANÁLISE DO ENTORNO

O Theatro Capitólio locado em lote urbano tem suas divisas muito bem definidas, de um lado e de outro há vizinhos urbanos e na frente o logradouro público.

A sua frente, do outro lado da rua há edificações de décadas bem próximas de sua construção. Como o Theatro está inserido na malha urbana, não pode ser visto ao passar pela rua.

A rua era antigamente denominada Rua Direita, hoje Rua Presidente Antônio Carlos, cujo leito é asfaltado. Esta rua é estreita e foi ainda mais reduzida devido a ampliação da calçada do lado oposto. A ampliação foi feita para permitir a evacuação do Theatro, que mesmo tendo que atravessar a rua, há uma abertura que é a Travessa Monsenhor Leônidas, caracterizada como calçadão. O passeio se constitui de ladrilho hidráulico, cujo desenho é simétrico.

A grandeza e a magnetude do edifício do Theatro não foi abalada mesmo com a construção do primeiro prédio, com cerca de 8 pavimentos que é o Edíficio Oswaldo Costa.

Do lado direito ao Theatro está o edifício da CEMIG com sua arquitetura tendendo ao moderno e do lado esquerdo está uma loja comercial de linhas retas.

    IMÓVEIS VARGINHA

 
   
 
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