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Varginha, domingo, 05/02/2012
 
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PATRIMÔNIO HISTÓRICO
    IMÓVEL DO JORNAL SUL DE MINAS

Imóvel do Jornal Sul de Minas
HISTÓRICO

Em 1892, chegava em Varginha o primeiro trem de ferro. Isto significava força comercial.

A Estação Ferroviária foi ganhando importância. Vários médicos começaram a instalar-se nas proximidades da estação. Surgiram várias casas comerciais, hotéis, casas residenciais e, como não poderia deixar de ser, bancos.

A Estação Ferroviária apresentava-se como a materialização das forças capazes de erguer definitivamente a cidade de Varginha. As mudanças no cenário eram evidentes. Uma nova paisagem se convertia; fachadas e prédios eram cuidadosamente dispostos como símbolo fulgurante do progresso advindo com o café.

Surgem magníficos casarões nas proximidades da Estação Ferroviária, dentre eles, a imponente casa, construída ao lado do Banco do Brasil na década de 1930.

Através de suas imensas janelas avarandadas em estilo eclético, era possível deslumbrar-se com as visíveis marcas do progresso: iluminação elétrica, rede telefônica, trem de ferro e tantas outras coisas mais que inebriavam os homens da época.

Na Estação Ferroviária, o derradeiro apito do trem indicava que já era hora de partir. Aos que permaneciam, “Boa Estada”; aos que partiam, “Boa Viagem”.

O trem ia repleto. Os viajantes faziam as suas despedidas e suas derradeiras exibições de vestuário, jóias e imponência pessoal. Os homens da estrada iam e vinham como doidos, uns dando ordem ou gritando números, com papéis e lápis em punho, outros, em manga de camisa, colocando fardos, caixotes e malas para dentro dos vagões de carga.

Vendedores ambulantes ecoavam seus gritos, oferecendo doces, balas, jornais e cigarros. A diversão das crianças era ir para a Estação Ferroviária, logo que o apito soava, para acenar para as pessoas que chegavam ou partiam no trem.

A imagem da mãe-esposa-dona de casa como a principal e mais importante função da mulher correspondia àquilo que era pregado pela Igreja, ensinado por médicos e juristas, legitimado pelo Estado e divulgado pela imprensa. Mais que isso, tal representação acabou por recobrir o “ser Mulher” e restringi-la tão somente ao seio do lar. Talvez seja por isso que as janelas avarandadas da época, encobertas por pesadas cortinas, jaziam tão misteriosas.
Por volta de 1934, na parte inferior do prédio. parra a funcionar o Banco Comércio e Indústria de Minas


Por volta de 1934, na parte inferior do prédio, passa a funcionar o Banco Comércio e Indústria de Minas. Juntamente com o Banco do Brasil, o Banco Comércio e Indústria de Minas contribuiu para que fossem auferidos grandes lucros ao munícipes varginhenses e da região.

Na década de 1960, alí funcionou um depósito de cigarros.

DESCRIÇÃO

O prédio em referência encontra-se num local de amplo e rápido desenvolvimento urbano e econômico, por situar-se na região da Estação Ferroviária do município; transformou-se no centro de implantação de diferentes atividades industriais e comerciais e destaca-se pela imponência de sua construção.

A bela construção é de 1930, em estilo eclético (possibilidade de utilização de produtos industrializados e novas técnicas construtivas) e neoclássico (diferenciação de sua construção das construções mais simples). Caracteriza-se por detalhes e apliques trabalhados, balcões, galões, balaústres.

Situada em terreno em aclive, a construção obedece à implantação característica: alinhamento junto à via pública, sem nenhum recuo frontal, mas com recuo pelo menos em uma das laterais.

O prédio, como na maioria das construções daquela época, com paredes grossas (tijolos maciços) chegando até a 50, 60cm de espessura, tem dois pavimentos, sendo o pavimento térreo destinado à área administrativa e o superior, à moradia.

O pavimento térreo devido à sua função administrativa tem a sua distribuição espacial mais livre; é um salão sendo sustentado, na sua parte central, por apenas duas robustas colunas (60cmx60cm), colunas esta que, de acordo com a época, eram divididas em base (plinto), fuste e capitel (coríntio).

Conserva-se até hoje, o que resta de seu esmerado piso de ladrilho hidráulico, fazendo uma composição de cores e formas e contrastando com o restante do piso, constituído de assoalho de madeira (peroba).

O pavimento superior é de um refinado bom gosto. A sua distribuição espacial faz-se da seguinte forma: nas laterais estão locados os quartos e/ou saletas, um adentrando no outro, como era o estilo da época, sendo quebrado apenas em uma das laterais com a disposição da cozinha, área de serviço e banheiro. Na parte central estão locados a sala de estar, hall e sala de jantar. Aos fundos, com um considerável recuo, temos o quintal com acesso por uma escada de cimento, arranque e guarda-corpo sustentado por balaústres recortados.

Suas salas são enriquecidas com um belo arco de madeira, portas e portais também de madeira com vergas em arco pleno ou de nível, detalhadas em vidro.

A platibanda da fachada principal é recortada dando movimento a mesma. É composta por quatro portas de madeira em arco pleno, simétricas, na parte superior e três portas suspensas de ferro, sendo a central diferenciada, na parte inferior.

A fachada de toda a edificação apresenta revestimento com reentrâncias, maiores na parte inferior e menores na superior que dão a aspecto de que o prédio é todo dividido em faixas horizontais.

USO ATUAL

Atualmente, a parte superior do imóvel é utilizada para fins residenciais, enquanto que, na parte inferior, funciona a sede do Jornal Sul de Minas, de propriedade do Sr. Nicácio.

ANÁLISE DO ENTORNO

O prédio do imóvel situado à Praça Matheus Tavares, 156, está localizado em lote urbano tendo suas divisas bem definidas, nas laterais construções comerciais e no fundo o Hotel do Comércio.

No seu entorno existem vários edifícios de interesse histórico, que são: o prédio onde funcionava a primeira Agência do Banco do Brasil e a Estação Ferroviária; e outras construções da época.

    IMÓVEIS VARGINHA

 
   
 
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