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Imóvel do Jornal Sul de Minas |
HISTÓRICO
Em 1892, chegava em Varginha o primeiro trem de ferro. Isto significava força comercial.
A Estação Ferroviária foi ganhando importância. Vários médicos começaram a instalar-se nas proximidades da estação. Surgiram várias casas comerciais, hotéis, casas residenciais e, como não poderia deixar de ser, bancos.
A Estação Ferroviária apresentava-se como a materialização das forças capazes de erguer definitivamente a cidade de Varginha. As mudanças no cenário eram evidentes. Uma nova paisagem se convertia; fachadas e prédios eram cuidadosamente dispostos como símbolo fulgurante do progresso advindo com o café.
Surgem magníficos casarões nas proximidades da Estação Ferroviária, dentre eles, a imponente casa, construída ao lado do Banco do Brasil na década de 1930.
Através de suas imensas janelas avarandadas em estilo eclético, era possível deslumbrar-se com as visíveis marcas do progresso: iluminação elétrica, rede telefônica, trem de ferro e tantas outras coisas mais que inebriavam os homens da época.
Na Estação Ferroviária, o derradeiro apito do trem indicava que já era hora de partir. Aos que permaneciam, “Boa Estada”; aos que partiam, “Boa Viagem”.
O trem ia repleto. Os viajantes faziam as suas despedidas e suas derradeiras exibições de vestuário, jóias e imponência pessoal. Os homens da estrada iam e vinham como doidos, uns dando ordem ou gritando números, com papéis e lápis em punho, outros, em manga de camisa, colocando fardos, caixotes e malas para dentro dos vagões de carga.
Vendedores ambulantes ecoavam seus gritos, oferecendo doces, balas, jornais e cigarros. A diversão das crianças era ir para a Estação Ferroviária, logo que o apito soava, para acenar para as pessoas que chegavam ou partiam no trem.
A imagem da mãe-esposa-dona de casa como a principal e mais importante função da mulher correspondia àquilo que era pregado pela Igreja, ensinado por médicos e juristas, legitimado pelo Estado e divulgado pela imprensa. Mais que isso, tal representação acabou por recobrir o “ser Mulher” e restringi-la tão somente ao seio do lar. Talvez seja por isso que as janelas avarandadas da época, encobertas por pesadas cortinas, jaziam tão misteriosas.
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Por volta de 1934, na parte inferior do prédio. parra a funcionar o Banco Comércio e Indústria de Minas |
Por volta de 1934, na parte inferior do prédio, passa a funcionar o Banco Comércio e Indústria de Minas. Juntamente com o Banco do Brasil, o Banco Comércio e Indústria de Minas contribuiu para que fossem auferidos grandes lucros ao munícipes varginhenses e da região.
Na década de 1960, alí funcionou um depósito de cigarros.
DESCRIÇÃO
O prédio em referência encontra-se num local de amplo e rápido desenvolvimento urbano e econômico, por situar-se na região da Estação Ferroviária do município; transformou-se no centro de implantação de diferentes atividades industriais e comerciais e destaca-se pela imponência de sua construção.
A bela construção é de 1930, em estilo eclético (possibilidade de utilização de produtos industrializados e novas técnicas construtivas) e neoclássico (diferenciação de sua construção das construções mais simples). Caracteriza-se por detalhes e apliques trabalhados, balcões, galões, balaústres.
Situada em terreno em aclive, a construção obedece à implantação característica: alinhamento junto à via pública, sem nenhum recuo frontal, mas com recuo pelo menos em uma das laterais.
O prédio, como na maioria das construções daquela época, com paredes grossas (tijolos maciços) chegando até a 50, 60cm de espessura, tem dois pavimentos, sendo o pavimento térreo destinado à área administrativa e o superior, à moradia.
O pavimento térreo devido à sua função administrativa tem a sua distribuição espacial mais livre; é um salão sendo sustentado, na sua parte central, por apenas duas robustas colunas (60cmx60cm), colunas esta que, de acordo com a época, eram divididas em base (plinto), fuste e capitel (coríntio).
Conserva-se até hoje, o que resta de seu esmerado piso de ladrilho hidráulico, fazendo uma composição de cores e formas e contrastando com o restante do piso, constituído de assoalho de madeira (peroba).
O pavimento superior é de um refinado bom gosto. A sua distribuição espacial faz-se da seguinte forma: nas laterais estão locados os quartos e/ou saletas, um adentrando no outro, como era o estilo da época, sendo quebrado apenas em uma das laterais com a disposição da cozinha, área de serviço e banheiro. Na parte central estão locados a sala de estar, hall e sala de jantar. Aos fundos, com um considerável recuo, temos o quintal com acesso por uma escada de cimento, arranque e guarda-corpo sustentado por balaústres recortados.
Suas salas são enriquecidas com um belo arco de madeira, portas e portais também de madeira com vergas em arco pleno ou de nível, detalhadas em vidro.
A platibanda da fachada principal é recortada dando movimento a mesma. É composta por quatro portas de madeira em arco pleno, simétricas, na parte superior e três portas suspensas de ferro, sendo a central diferenciada, na parte inferior.
A fachada de toda a edificação apresenta revestimento com reentrâncias, maiores na parte inferior e menores na superior que dão a aspecto de que o prédio é todo dividido em faixas horizontais.
USO ATUAL
Atualmente, a parte superior do imóvel é utilizada para fins residenciais, enquanto que, na parte inferior, funciona a sede do Jornal Sul de Minas, de propriedade do Sr. Nicácio.
ANÁLISE DO ENTORNO
O prédio do imóvel situado à Praça Matheus Tavares, 156, está localizado em lote urbano tendo suas divisas bem definidas, nas laterais construções comerciais e no fundo o Hotel do Comércio.
No seu entorno existem vários edifícios de interesse histórico, que são: o prédio onde funcionava a primeira Agência do Banco do Brasil e a Estação Ferroviária; e outras construções da época.