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Grupo Brasil |
HISTÓRICO
A construção da referida escola ocorreu em 1933. No dia 28 de junho de 1934, o Grupo Escolar abre as suas portas para receber as crianças. Nessa época governava o Estado de Minas Gerais o Dr. Olegário Maciel, ocupava o lugar de secretário da Educação o Dr. Noraldino Lima. Era prefeito de Varginha o Sr. José Augusto de Paiva. Era de interesse geral que tal empreendimento se realizasse.
Foi nomeada como primeira diretora, a professora Aída Resende. Entre as professoras antigas, podemos citar: Odete Alvarenga, Ester Gilda Ferreira, Mª Eliza Ferreira, Mª Amélia Fioravante, Mª Luiza Paiva, Ester Paiva, Ida Leal, Izira Campos, Cerinaira Mesquita, Antônia Domiciano Lima, Sylvia Calil, Alice Vasconcelos, Áurea Tavares, Araci Miranda.
Nas solenidades de instalação compareceram autoridades, várias famílias e inúmeras pessoas relacionadas à política local. A benção do prédio foi realizada pelo Revendo Pe. Paulo Kremer.
No dia 02 de julho começou a funcionar o grupo. No dia 06 de agosto de 1934, foi fundada a Caixa Escolar Brasil, estavam presentes os senhores: Dr. José Pinto de Oliveira, presidente da Caixa Escolar; o prefeito José Augusto de Paiva; o fiscal da Caixa Sr. Francisco Limborço; o Inspetor Escolar Municipal e ainda diversas famílias.
Aproveitando a data, organizou-se um Vooley-Ball, e uma tarde dançante, cuja renda foi revertida em benefício da Caixa Escolar Brasil.
No dia 20 de setembro, entrada da primavera, houve comemoração festiva, assistida pelo Sr. Inspetor Escolar Municipal; pelo Sr. Leopoldino Pádua, redator do “Arauto do Sul”; pelo Dr. Joaquim Afonso Ferreira, fiscal da Caixa Escolar Brasil e várias famílias da sociedade local. O programa organizado pela professora Maria Luiza Salles constou de duas partes: literária e esportiva, que muito agradou.
Em 24 de fevereiro de 1935, a comissão de festas organizou um baile em benefício da Caixa Escolar: o Baile da Gluta, a melhor festa realizada desde então no Grupo Escolar Brasil, que constituiu um verdadeiro acontecimento em Varginha.
Ainda no mesmo ano, o Baile Jeca e no dia 16 de julho de 1935, Promulgação da Constituição, foi realizado um auditório assistido pelo Inspetor Escolar, pelo Promotor, por um representante do Colégio dos Santos Anjos e muitas famílias varginhenses. Houve uma exposição de trabalhos que muito impressionou.
No decorrer de 1935, foi iniciado o trabalho de carpintaria para a 4ª série; em agosto aulas de modelagem, Museu Escolar e Clube Agrícola.
Em 1965, o Grupo Escolar estava necessitando de uma boa reforma, além disso, o prédio já estava pequeno, não comportando o número de crianças. Em fevereiro tiveram uma grande notícia: seria feita a reforma do Grupo.
A iniciativa foi do Governo Magalhães Pinto. A Construtora Carpe, cujo presidente era o Dr. Paulo Diniz, fez a reforma e ampliação. Diretora, professores e serventes, sempre incansáveis trabalharam em casas, porões e garagens adaptadas para salas de aula.
Dois anos com a falta de conforto e espaço, mas sem esmorecimentos, pois à medida que os problemas surgiam, eram sabiamente contornados e compreendidos.
Existia uma fanfarra, o presidente de honra, o Sr. José de Rezende Paiva, que mesmo nas suas últimas horas de vida, não se esqueceu do Grupo Escolar Brasil: pediu que sua esposa continuasse o seu trabalho, dando assistência aos alunos.
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No dia 28 de junho de 1934, o Grupo Escolar abre as suas portas para receber as crianças |
Em 1967, Dª Terezinha Bíscaro, contribuiu muito com a Caixa Escolar, em memória de seus filhos: Dora e Horácio. Nesse mesmo ano, o Grupo Escolar possuía: Clube Agrícola “ Heloísa Torres”, Farmácia “Aída Resende”, Biblioteca “Antônio Augusto Melo Cançado”, Fanfarra “José de Resende Paiva” e a bandinha rítmica. Funcionava em dois turnos: diurno e um supletivo com um total de 28 classes.
DESCRIÇÃO
Libertas dos limites do lote – frontais, laterais e de fundos, que sempre amarraram nossa arquitetura nos séculos teriores – nossas moradias, já no começo do século XX podiam respirar livremente. Viam-se livres também do rés-do-chão, pela existência do porão alto, e entravam na era da salubridade.
Tal era o panorama arquitetônico encontrado no início do século, permeado pelo avanço tecnológico e industrial que, como todo recém-nascido, ainda precisava se situar no mundo. Assim surgia o ecletismo, propondo uma retomada dos vários estilos arquitetônicos de todas as épocas e de todos os rincões do mundo. Com as novas técnicas era mais fácil imitar qualquer estilo. E o pecado foi justamente esse: construir casas “de estilo”. Pecado esse que, mais tarde, foi redimido pela arquitetura moderna, da qual o Brasil foi um dos mais profícuos produtores.
Dentro desse clima de euforia arquitetônica, que no Brasil só seria suplantado pelo surgimento da arquitetura modernista e, também no clima de expansão da educação primária, principalmente em Minas Gerais, surgem vários estabelecimentos educacionais de 1º grau por todo o estado. Está pronto o cenário para o nascimento do Grupo Brasil.
Um programa para “grupo escolar”, por volta dos anos 30 e até há pouco tempo, não requeria grande diversificação de atividades: salas de aula, diretoria, secretaria, gabinete dentário, sanitários e pátio de recreação. Como programa básico, o Grupo Brasil não foge a esse esquema. As salas especiais para música, teatro, química, etc, não eram necessárias nessa época, em que o ensino primário restringia-se aos quatro primeiros anos fundamentais.
De posse desse programa enxuto, era somente dispor as salas de aula em torno de um corredor externo avarandado e localizar vestíbulo e administração na frente, completando o “U”, solução de partido que já vinha sendo usada e prevaleceu por muito tempo ainda, mostrando seu grau de acerto.
O edifício localiza-se em lote de esquina, mas não se fez nenhuma modificação em seu projeto original para adaptá-lo a este modelo de implantação. Com certeza, o projeto vinha pronto da capital e talvez até mesmo a equipe técnica e construtora tenham sido “importados”.
Como este, muitos Grupos Escolares (termo surgido em 1906 para designar estabelecimentos onde o ensino primário seria gratuito) pipocaram por Minas Gerais, talvez com o mesmo projeto, apenas recebendo pequenas modificações para adequá-los às condições locais. Não importa que não seja o único, mas sim, que marcou a vida da comunidade da época e, até hoje, é uma referência na memória coletiva da população varginhense, e cumpre suas funções originais.
O imóvel foi construído em 1933, dentro do período que passou a ser denominado de eclético, e já sofrendo influência do art-déco, movimento surgido na Europa em meados da década de 20 como arte decorativa, mas que logo foi incorporado pela arquitetura. Esse movimento instalou-se no Brasil, onde predominou até a década de 40, buscando compatibilizar as técnicas construtivas e formalismos estilísticos do passado com os produtos da industrialização crescente.
Não é uma construção gritante, não faz alarde de sua presença. Pelo contrário, situa-se com muita serenidade em seu sítio. Este é seu trunfo. Detalhes e procedimentos arquitetônicos podem ser elencados, mas somente para situar a edificação em seu tempo e lugar.
Como tudo no ecletismo, o edifício não se furtava a certos enfeites que este preconizava, como a mansarda, que quebra o pano do telhado. Esse pequeno corpo de alvenaria projetado para a frente traz ainda o requinte de apresentar ornamentos salientes em massa, remetendo às estruturas de enxaimel, técnica construtiva de madeira, também importada e muito utilizada no sul do país. Nada que comprometa. Pelo contrário, esse e outros detalhes ornamentais acabaram por fazer parte da memória nacional, caracterizando todo o período eclético.
Os grandes beirais do Grupo Brasil podem também ser um indício do uso do estilo neo-colonial, movimento também englobado pelo ecletismo que, à sombra de seu largo regaço, abrigava os mais variados estilos da época num grande movimento de conciliação.
A fachada principal apresenta um recuo da via pública, abrindo espaço para dois pequenos jardins frontais, dos lados da escadaria central que conduz ao alpendre de entrada. As escadas são guarnecidas lateralmente por jardineiras de alvenaria. De alvenaria também são as muretas do alpendre, arrematadas por elementos decorativos geométricos e irregulares, ora retos, ora curvos, típicos do estilo art-decô.
USO ATUAL
Escola Estadual Brasil – 1º Grau – Ensino Fundamental – 1ª à 4ª séries.
ANÁLISE DO ENTORNO
De linhas simples e retas, o Grupo Brasil viu passar por seus bancos grande parte da população local, uma vez que foi a segunda escola pública a instalar-se na cidade, tendo portanto valor afetivo, referencial e histórico.
O Grupo situa-se em esquina de via local de mão única, passagem principal para vários bairros. A volumetria dos imóveis do entorno não interfere em sua visibilidade. Por vizinhos frontais, o edifício tem uma antiga residência, anterior a própria escola e um lote vago que já abrigou uma residência tida como a mais antiga de Varginha e demolida no início da década de noventa. Indícios da veracidade dessa afirmação são uso de adobe, taipa em suas grossas paredes e o melhor um largo entre este e o Grupo Brasil, resultante da superposição das novas ruas em esquadro sobre o antigo traçado orgânico colonial.