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Escola Estadual Afonso Pena |
HISTÓRICO
Decreto de Criação Nº: 4.812 de 22/06/1917, data o início da construção.
Conforme ata – Termo de Instalação do Grupo Escolar Afonso Pena, transcrita abaixo:
Aos 15 dias do mês de janeiro de 1924, presente o inspetor escolar municipal, Sr. Dr. Joaquim Afonso Ferreira, foi instalado o Grupo Escolar “Afonso Pena” de Varginha, dirigido pelo professor Antônio Corrêa de Carvalho. Estando o magestoso edifício do grupo repleto de pessoas da mais alta representação social Varginhense, o Sr. Inspetor escolar convidou os senhores doutores Juiz de Direito da Comarca, Promotor de Justiça e o Dr. Presidente da Comarca Municipal presentes ao ato, para tomarem parte na sessão solene, que sob sua presidência deverá empossar o Diretor e instalar o Grupo. Depois do Diretor e professores terem prestado o compromisso legal, o senhor inspetor escolar após uma ligeira alocução em que congratulou-se com a população local pelo acontecimento graças ao benemérito Governo do Estado, declarou instalado o Grupo Escolar de Varginha, sendo as últimas palavras abafadas por uma prolongada salva de palmas ao som do Hino Nacional e irreverentes aclamações aos nomes dos doutores Artur Bernardes, Paulo Soares, Olegário Maciel e Melo Viana. Dada a palavra ao Dr.
João de Souza Barros, no caráter de orador oficial, por parte da Comarca Municipal, produziu um substancioso discurso, pondo em relevo a importância da instrução na vida dos povos, cuja oração repleta de belas imagens, provocou os mais calorosos aplausos por parte do auditório. Usaram também da palavra, sendo igualmente muito aplaudido o distinto advogado Dr. Jacy de Figueiredo e o Revenº Pe. Leônidas Ferreira, zeloso vigário da Paróquia. Representava os Srs. Dr. Olegário Maciel e Melo Viana, mediante delegação especial, o Cel. José Augusto de Paiva, íntegro presidente da Câmara Municipal precedendo-se a chamada dos alunos verificou quinhentos e sete (507), dos seicentos e sessenta e nove (669) matriculados. Para constar, eu Antônio Corrêa de Carvalho, Diretor do Grupo Escolar, lavrei o presente termo que vai assinado por mim, pelo senhor Dr. inspetor escolar municipal e pessoas gradas, presentes ao ato.
DESCRIÇÃO
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Escola Estadual Afonso Pena na década de 30 |
Seguindo a tradição brasileira na construção de prédios públicos e oficiais, mandou-se construir em Varginha, em 1924, o edifício do Grupo Estadual Afonso Pena. O padrão da arquitetura oficial vigente era o neoclássico, embora tardio, uma vez que o ecletismo já predominava no país desde o começo do século. Mas o que interessava era dotar o edfício de atributos imponentes, e para isso o neoclássico bem se prestava, para demarcar nitidamente sua função, diferenciando-o das simples moradias.
O ecletismo, por sua vez, trazia consigo a possibilidade da utilização de produtos industrializados e novas técnicas construtivas, tanto que, abstraindo-se a fronteira, fachada ornamentada e carregada de elementos decorativos, encontramos uma construção de “boa saúde plástica”, nas sábias palavras do mestre Lúcio Costa grande estudioso e entendedor da essência da arquitetura brasileira. Receptora dos ecos dos movimentos artísticos dos grandes centros, Varginha não podia fugir à regra de executar obras com certos ornatos e características preconizadas por aqueles movimentos.
Situada em terreno em declive, a construção obedece à implantação característica: alinhamento junto à via pública, sem qualquer recuo frontal, mas já com recuo lateral. No entanto, a planta em “U” característica do neoclássico, revela a influência da Missão Francesa, libertando a construção dos limites do lote e já criando pátios internos, possibilitando melhor iluminação e ventilação.
O prédio tem apenas um pavimento, mas já sobre porão alto, recurso que possibilitaria melhor salubridade e cuja é denunciada pelas pequenas aberturas gradeadas voltadas para via pública e alinhadas sob os vãos das janelas. O partido, com planta de U, caracteriza-se pela base voltada para a rua, com a fachada monumental toda trabalhada, em contraste com o restante da cistrução, bem mais simples e deixando transparecer o sistema construtivo. Esse partido gera ainda uma funcionalidade que atende bem ao programa:
• Os braços do “U” abrigam as salas de aulas, as quais abrem-se para uma galeria alpendrada que circunda toda a parte interna do “U”, e servem ainda como circulação, proporcionando a um só tempo sombreamento, ventilação e proteção contra a chuva. Portanto, voltadas para os fundos do lote, as salas ficam protegidas do burburinho da rua;
• A Administração (diretoria, secretaria, biblioteca) na parte central, voltada para a rua;
• Acesso para o pátio interno de recreação e porão pela escadaria central, localizada entre as galerias.
Ao que tudo indica, esta escada foi ampliada posteriormente para permitir maior fluxo de alunos, mas perdeu a suposta graciosidade que deve ter tido, com seus gradis de ferro batido, que dariam continuidade das galeria. As galerias alpendradas apoiam-se sobre grossas colunas de tijolo de seção quadrada e têm piso e cobertura de laje, solução estrutural diferente do restante do edifício.
A FACHADA
Encimado a fachada frontal, bastante trabalhada, ao longo da platibanda destacam-se três elementos decorativos mais elevados mais elevados: dois deles (laterais e simétricos) coroam janelas de arco pleno, dadeadas por meias-colunas verticais, a título de pilares. O elemento decorativo central coroa o centro geométrico da frontaria. Este, por sua vez, é constituído por janelas duplas, mais estritas, também em arco pleno. Motivos florais coroam o semi-círculo erguido a partir do encontro das duas janelas. Ao longo da platibanda erguem-se pilaretes, regularmente dispostos, movimentando e dando ritmo áquele recurso decorativo. Elemento largamente utilizado na arquitetura eclética do início do século, uma cimalha de massa separa a platibanda das paredes e atua como desvio das águas de chuva.
Doze janelas verticais simétricas compõem ao todo a fachada . Todas elas são encimadas por faixas decorativas com motivos florais geométricos. À cada janela corresponde um vão para o porão, os quais são fechados por gradis de ferro batido e trabalhado.
Sob os peitoris das janelas, onde também estão presentes ornatos geométricos, repete-se a decoração com motivos florais. Cada janela é separada da outra por meias-colunas, apenas para dar volumetria à fachada, pois não têm razões estruturais, já que as paredes têm grande espessura.
A fachada apresenta revestimento em “rusticado”. A construção em si utiliza técnicas tradicionais herdadas do saber fazer colonial. Apesar de utilizar tijolos de barro queimados, estes são assentados sobre barrotes, à maneira das construções de pau-a-pique que marcou toda a arquitetura mineira dos séculos anteriores.
A essa técnica misturam-se lajes de concreto, também já em uso na época. Nas pontas do U e nas galerias alpendradas, essas novas lajes já se fazem presente, mostrando, no pavimento inferior das galerias, um desenho de abóbadas abatidas.
O muro lateral do edifício que cerca o pátio é recente, de alvenaria de tijolos com revestimento em chapisco e é marcado por colunas, que indicam a existência anterior de gradil de ferro entre as mesmas. Pelo portão, entre as duas colunas mais próximas, entravam os alunos para o pátio lateral e daí para o interior do edifício, através de porta simétrica à entrada dos professores, do outro lado do edifício. O tratamento das portas de entrada é o mesmo para ambas, sem qualquer hierarquia ou tratamento diferenciado.
USO ATUAL
Escola Estadual Afonso Pena – 1º Grau – Ensino Fundamental.
ANÁLISE DO ENTORNO
O imóvel em questão situa-se no início de importante via de circulação da cidade, confluência da rua Santa Cruz (pista única, via estreita, mas de tráfego intenso), com Av. Rui Barbosa (pistas largas e grande intensidade de tráfego) e sempre se caracterizou como principal ponto focal do local. É portanto elemento significativo, tanto no contexto histórico, como no ambiente urbano, caracterizando-se como marco referencial importante para a comunidade local.
No entanto, o imóvel encontra-se espremido pela estreita calçada e via de circulação adjacente. Uma boa alternativa para valorizá-lo seria um projeto que anexasse a praça fronteiriça, com o conseqüente desvio de trânsito de modo a enriquecer o visual do bem histórico, bem como sua apropriação pelos usuários imediatos – os alunos – e pelos moradores. Pouco arborizada, a praça permitiria uma maior integração do imóvel com a cidade e garantiria sua visibilidade.
Do ponto de vista volumétrico, as construções adjacentes não interferem com o bem em questão, mantendo todas aproximadamente o mesmo gabarito.